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DESAFIOS NO ENSINO HÍBRIDO

Uma das principais preocupações da Universidade Tecnológica do Perú (UTP) em relação à modalidade de ensino híbrido tem sido o grau de participação dos estudantes em atividades virtuais.

Vamos contextualizar: o percentual de participação de alunos no primeiro semestre de 2018 foi de 46%; ou seja, mais da metade das atividades virtuais não se realizaram, mas haviam sido projetados para contribuir no alcance dos objetivos propostos.

Após pensar em possíveis alternativas para solucionar o tema, desenvolvemos um programa de insígnias digitais no Canvas, no período de agosto de 2018, com foco no aumento da participação dos alunos.

Para para uma aplicação prática inicial escolhemos o curso de Inglês I, pois estava dentro dos cursos que possuíam um percentual muito baixo de participação e aprovação de alunos.

Aliás, antes de seguir adiante e para te contextualizar um pouco mais você sabe o que são insígnias digitais?

Basicamente elas são representações visuais (como uma medalha ou selo) de uma atividade realizada, disponíveis na forma digital e que contém informações sobre quem entregou a insígnia, quem a obteve e por que a mereceu (Gibson, Ostashewski, Flintoff, Grant e Knight 2013, como citado em Simeonov, 2016). E, embora as insígnias digitais possam ter muitas funções, neste estudo nós as utilizamos ​​como elementos motivadores de participação dos alunos.

O QUE CONSISTIU O PROGRAMA?

Graças a facilidade de integração do Canvas com diferentes ferramentas externas, optamos por utilizar o aplicativo Badgr, que permitiu implementar o programa de insígnias.

Cada aluno teve que realizar um conjunto de atividades virtuais de acordo com o que foi especificado em seu cronograma. Nós associamos uma insígnia para cada pequeno grupo de atividades e, na medida em que obtinham um determinado grupo de insígnias, o aluno poderia obter pontos adicionais (bônus), de acordo com a qualidade que exercia suas atividades.

Para comprovar a eficácia da iniciativa foram comparados os resultados dos alunos que participaram do programa (grupo experimental) com outro grupo de alunos do mesmo curso que não participaram (grupo controle).

AS INSÍGNIAS FUNCIONARAM?

É difícil responder a essa pergunta com "sim" ou "não" definitivo.

As insígnias foram úteis porque encontramos uma diferença estatística significativa no número de participação dos alunos, em favor dos que tinham insígnias em comparação com aqueles que não participaram do projeto.

Em geral, o total de atividades realizadas pelo grupo experimental foi de 166, o que equivale a 65,87% do total de atividades que todos os alunos deste grupo deveriam realizar.

No entanto, não encontramos diferenças claras em relação às notas dos alunos que participaram do programa comparadas aos que não participaram e mais estudos serão necessários para estabelecer uma relação entre a participação e o desempenho acadêmico.

Concluímos que, através do uso das insígnias no Canvas pudemos implementar um programa que ajudou no aumento da participação de estudantes em cursos híbridos e certamente continuaremos a explorar o uso de diferentes ferramentas externas que podem ser integradas neste LMS.

Nota: Tabela com o ranking das insígnias digitais

 

Siga aprendendo,

Eduardo Fabio Gonzales López
Analista de Monitoramento e Avaliação, Universidade Tecnológica do Peru

 

Referências

Simeonov, T. S. (2016). Insígnias digitais em educação: natureza e implementação. Retórica e Comunicações e-Journal. https://www.researchgate.net/publication/311650130_Digital_badges_in_education_nature_and_implementation